
Dodjões Argentinos: Os Clássicos da Chrysler Que Poucos Brasileiros Conhecem
Quando se fala em Dodges clássicos na América do Sul, o pensamento do brasileiro quase sempre vai direto para ícones nacionais como Dart, Charger R/T, LeBaron e Magnum. No entanto, existe uma vertente igualmente fascinante — e muito menos conhecida — dessa história: os Dodjões argentinos.
Produzidos pela Chrysler Fevre Argentina, esses modelos marcaram época entre as décadas de 1960 e 1980. Com identidade própria, mecânica robusta e versões exclusivas, os Dodges argentinos ajudaram a moldar o mercado automotivo do país vizinho e, hoje, despertam crescente interesse entre colecionadores brasileiros.
A Chrysler na Argentina: Contexto Histórico
A Chrysler chegou à Argentina em um momento estratégico. O país vivia forte processo de industrialização, e o governo incentivava a produção local de veículos. Assim surgiu a Chrysler Fevre Argentina, responsável por adaptar projetos globais às necessidades e ao gosto do mercado argentino.
Diferente do Brasil, onde a Chrysler focou em carros grandes e luxuosos, na Argentina a estratégia foi mais ampla. A marca apostou tanto em sedãs familiares quanto em muscle cars esportivos, sempre priorizando robustez e simplicidade mecânica.
Esse posicionamento ajudou a explicar por que muitos Dodges argentinos sobreviveram por décadas em uso diário.
Quais Foram os Principais Dodjões Argentinos?
A linha de modelos argentinos é diversa e cheia de particularidades. Alguns nomes até se repetem, mas os carros são completamente diferentes dos brasileiros.
🚗 Dodge Polara Argentino
É importante esclarecer um ponto essencial:
👉 O Dodge Polara argentino não tem relação direta com o Polara brasileiro.
Enquanto o nosso Polara deriva do Hillman Avenger, o argentino tinha outra base e outra proposta. Lá, ele foi vendido como um sedã médio, robusto e confiável, ideal para famílias e uso urbano.
O Polara argentino se destacou pela simplicidade, mecânica fácil e baixo custo de manutenção — características muito valorizadas no país.
🏁 Dodge GTX: O Muscle Car Argentino
Sem dúvida, o Dodge GTX é o mais desejado dos Dodjões hermanos.
Inspirado diretamente nos muscle cars americanos, o GTX tinha:
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Visual agressivo
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Capô longo
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Linhas musculosas
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Opções de motor Slant Six ou V8 318
O ronco encorpado, aliado ao desempenho acima da média para a época, fez do GTX um símbolo de esportividade na Argentina. Até hoje, ele é presença garantida em encontros de carros antigos e é considerado um dos muscle cars sul-americanos mais emblemáticos.
👔 Dodge Coronado: Luxo à Moda Argentina
O Dodge Coronado pode ser visto como o equivalente argentino ao nosso LeBaron.
Seu foco não era esportividade, mas sim:
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Conforto
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Espaço interno
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Rodar macio
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Status
Era um carro voltado a executivos, autoridades e famílias de maior poder aquisitivo. Apesar do porte grande, priorizava conforto e durabilidade, com motores confiáveis e acabamento funcional.
🚙 Dodge 1500: Versátil e Popular
O Dodge 1500 foi um dos maiores sucessos comerciais da Chrysler argentina.
Ele se destacou por:
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Design simples
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Boa economia
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Mecânica confiável
Curiosamente, o modelo deu origem até a versões picape, algo impensável no Brasil com a marca Dodge. Isso reforça como a Chrysler argentina adaptava seus produtos às necessidades locais.
Diferenças Entre Dodjões Argentinos e Brasileiros
Apesar de compartilharem o nome Dodge, as diferenças são grandes.
🔧 Mecânica
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Os argentinos mantiveram motores robustos por mais tempo
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Houve maior variedade de opções
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Menor foco em luxo excessivo
🎨 Acabamento
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Brasileiros apostavam em sofisticação
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Argentinos priorizavam funcionalidade
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Materiais mais simples, porém duráveis
⏱️ Tempo de Produção
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Alguns modelos argentinos ficaram mais tempo em linha
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Isso facilitou manutenção e reposição de peças
Essas diferenças refletem as realidades econômicas e culturais de cada país.
Por Que os Dodjões Argentinos Chamam Atenção no Brasil?
Nos últimos anos, o interesse de colecionadores brasileiros por Dodges argentinos cresceu bastante. Existem vários motivos para isso.
Primeiramente, a raridade. Modelos como o GTX são extremamente difíceis de encontrar no Brasil, o que aumenta seu apelo em encontros e leilões.
Além disso:
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O design é diferente do que estamos acostumados
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O ronco dos motores V8 encanta
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A história é pouco conhecida
Outro fator importante é a facilidade relativa de manutenção, já que muitos componentes mecânicos têm parentesco com motores Chrysler conhecidos.
Mercado de Colecionadores e Valorização
Hoje, os Dodjões argentinos começam a se valorizar fora do país de origem. O GTX, especialmente, já é tratado como item de coleção internacional.
No entanto, importar exige atenção:
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Documentação
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Regularização
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Estado de conservação
Mesmo assim, para quem busca exclusividade, eles representam uma oportunidade única.
Conclusão: Uma História Que Merece Ser Conhecida
Os Dodjões argentinos são uma joia pouco explorada da história automotiva sul-americana. Com modelos exclusivos, identidade própria e forte apelo emocional, eles mostram que a paixão por carros grandes, fortes e carismáticos não ficou restrita ao Brasil ou aos Estados Unidos.
Conhecer esses modelos é também entender como a indústria automobilística se adaptou às realidades locais, criando carros únicos que resistiram ao tempo.
👉 Você teria um Dodge GTX argentino na garagem?
👉 Já viu algum desses modelos pessoalmente?
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