
Os Grandiosos Dodjões: A Era de Ouro dos V8 no Brasil
Introdução: Quando o Brasil Roncava em V8
Se você viveu — ou pelo menos ouviu histórias — sobre as décadas de 1970 e 1980, é impossível não reconhecer o impacto dos lendários Dodges nacionais, carinhosamente apelidados de “Dodjões”. Mais do que carros, eles representavam status, potência, presença e personalidade em uma época em que dirigir era uma experiência visceral.
Enquanto hoje falamos em consumo, downsizing e motores três cilindros, naquela época o Brasil produzia sedãs grandes, pesados e equipados com motores V8, algo impensável nos dias atuais. Os Dodges da Chrysler não apenas circulavam pelas ruas: eles dominavam o cenário automotivo, chamavam atenção pelo ronco encorpado e deixavam qualquer um boquiaberto ao acelerar.
Neste artigo, você vai conhecer todas as versões dos Dodjões, entender o contexto histórico, suas diferenças, características técnicas e o motivo pelo qual eles se tornaram lendas absolutas do automobilismo brasileiro.
A Chegada da Chrysler e o Nascimento do Dodjão
A Chrysler do Brasil iniciou suas operações no país no final da década de 1960, trazendo consigo um projeto ambicioso: fabricar um sedã grande, robusto e potente, inspirado nos modelos americanos, mas adaptado à realidade brasileira.
O resultado foi o Dodge Dart, lançado em 1970, que rapidamente ganhou o apelido de Dodjão, tanto pelo porte avantajado quanto pelo desempenho impressionante para a época.
Todos os modelos compartilhavam um coração comum: o lendário motor V8 318, que se tornaria um dos propulsores mais famosos já produzidos no Brasil.
Dodge Dart (1970–1981): O Início da Lenda
O Dodge Dart foi o primeiro e mais importante Dodjão nacional. Ele chegou ao mercado como um sedã grande, confortável e extremamente potente para os padrões brasileiros.
Principais características do Dodge Dart:
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Motor V8 318 (5.2 litros)
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Potência de até 215 cv brutos
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Tração traseira
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Excelente nível de conforto
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Aceleração forte e torque abundante
O Dart misturava o conforto de um carro familiar com o desempenho de um esportivo, algo raro naquela época. Era comum ver Dart sendo usado tanto por famílias quanto por empresários, policiais e até em competições.
Dodge Gran Sedan (1971–1975): Luxo e Espaço em Primeiro Lugar
Criado para atender um público mais exigente, o Dodge Gran Sedan surgiu como uma versão mais longa e refinada do Dart. Ele focava em conforto, espaço interno e acabamento.
Destaques do Gran Sedan:
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Entre-eixos maior
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Banco traseiro extremamente espaçoso
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Acabamento interno superior
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Mesmo motor V8 318
O Gran Sedan era voltado para executivos, famílias grandes e autoridades, mantendo o mesmo desempenho bruto, porém com uma proposta mais elegante e sofisticada.
Dodge Charger R/T (1971–1980): O Esportivo Brasileiro por Excelência
Se existe um Dodjão que virou mito, esse carro é o Dodge Charger R/T. Ele não era apenas uma versão esportiva — era um símbolo de status e velocidade.
O que tornava o Charger R/T especial?
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Visual agressivo com faixas esportivas
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Suspensão mais firme
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Rodas exclusivas
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Interior com bancos individuais
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Mesmo V8 318, mas com ajuste mais esportivo
O Charger R/T se destacou tanto que virou referência em arrancadas, provas de rua e competições, além de ser presença constante em pôsteres, revistas e sonhos de consumo.
Até hoje, é considerado por muitos o maior esportivo já produzido no Brasil.
Dodge Le Baron (1979–1981): O Luxo Antes do Fim
Com a crise do petróleo e a mudança no mercado, a Chrysler tentou reposicionar seus modelos. Assim nasceu o Dodge Le Baron, uma versão mais luxuosa e refinada, focada em conforto e status.
Características do Le Baron:
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Acabamento interno mais sofisticado
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Bancos aveludados
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Uso abundante de cromados
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Painel mais refinado
Mesmo mantendo o motor V8, o Le Baron era menos esportivo e mais voltado para quem queria luxo, silêncio e imponência.
Dodge Magnum (1979–1981): O Último Suspiro do V8 Nacional
O Dodge Magnum marcou o fim da era Dodjão no Brasil. Ele trouxe um visual mais moderno, com linhas retas e faróis escamoteáveis, algo extremamente avançado para o mercado nacional.
Por que o Magnum é tão especial?
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Design futurista para a época
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Interior moderno
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Último Dodge V8 produzido no Brasil
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Ícone de transição entre duas eras
O Magnum representa o adeus da Chrysler ao mercado brasileiro, encerrando com dignidade a produção de um dos motores mais emblemáticos da nossa história.
Especificações Gerais da Linha Dodjão
Apesar das diferenças de proposta, todos os Dodges nacionais compartilhavam uma base mecânica semelhante:
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Motor: V8 318 (5.2 litros)
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Potência: até 215 cv (brutos)
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Câmbio: manual de 3 ou 4 marchas, ou automático
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Tração: traseira
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Apelido eterno: Dodjão
Por Que os Dodjões Viraram Lenda?
Os Dodges nacionais se tornaram lendários por vários motivos:
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Foram os únicos V8 de grande produção no Brasil
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Uniam potência, conforto e presença
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Tinham visual marcante
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Criaram uma cultura própria, com clubes e encontros
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Até hoje são altamente valorizados no mercado de clássicos
Atualmente, um Dodjão bem conservado pode atingir valores elevados, especialmente Charger R/T e Magnum.
Conclusão: Os Dodjões Nunca Saíram de Cena
Os Dodjões não são apenas carros antigos. Eles representam uma época em que o Brasil ousou, sonhou alto e produziu máquinas que até hoje despertam respeito.
Em encontros de antigos, basta ouvir o ronco grave de um V8 Chrysler para entender:
👉 os Dodjões não envelheceram — viraram eternos.
E agora queremos saber:
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Qual Dodjão é o seu favorito?
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Você já teve ou sonha em ter um desses clássicos?
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